Quem sou eu

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PRATA, MG, Brazil
Sou uma guerreira que batalha pela realização de um sonho que abrange o coletivo. Sou questionadora pela necessidade de fazer valer os direitos humanos. Sou determinada e insistente na nossa luta porque a exploração ainda é latente. Sou sujeita em movimento, sempre comprometida com o projeto ético politico profissional. Sou dinâmica e decidida, capaz de tornar minha profissão cada vez mais crítica, combativa e reflexiva. Sou trabalhadora e estou inserida na luta de classes: SOU ASSISTENTE SOCIAL.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017



O PODER (TAMBÉM) DA MULHER


É impossível generalizar as experiências das mulheres por todas as suas culturas e histórias. Mas é possível reconhecer a fundamental importância do Feminismo (com sua atuação direta nos movimentos políticos, sociais, ideologias e filosofias) nas decisões históricas dos direitos garantidos para as Mulheres. Perceba, no entanto, que nem sempre uma Feminina é uma Feminista ou vice-versa. Algumas pessoas tendem a confundirem o significado de cada adjetivo.A expressão da sua identidade é decisão sua.Policiar e regular as formas como as mulheres se apresentam sempre foi tarefa do patriarcado, e muitos dos elementos que compõem o que é socialmente entendido como “feminino” foram (e ainda são) utilizados como estratégias de dominação das mulheres.  A feminista é aquela que veio justamente para romper estereótipos pré-estabelecidos à figura do gênero feminino. E em alto e bom som disse que a criatura mulher pode ser como e quem ela quiser. O feminismo visa a igualdade equânime dos direitos, onde os gêneros são reconhecidos igualmente sem que a mulher esteja sujeita as opressões patriarcais e restrições sociais nos meios em que está inserida. O feminismo pode ser percebido em todos os movimentos populares que se pauta pela necessidade de oportunizar a fala para a mulher e que, esta seja ouvida. O feminismo, baseado em uma história de lutas sociais, com foco em ideologia de respeito e filosofias norteadoras, fez valer no decorrer de todas as disputas, prevalência de direitos da mulher à sua autonomia e à integridade de seu corpo. Se contassem para um grupo de machistas de décadas atrás que as mulheres um dia teriam direito ao aborto, direitos reprodutivos (incluindo o acesso à contracepção e a cuidados pré-natais de qualidade), proteção contra a violência doméstica, o assédio sexual e o estupro, direitos trabalhistas, incluindo a licença-maternidade e salários iguais, e todas as outras formas que a protege de discriminação, certamente que não acreditariam. Mas o feminismo acreditou, lutou e garantiu aquilo que deveria ser praticado naturalmente, mas que por força de crenças machistas, dificultou a mulher durante anos viverem em liberdade e ação. O feminismo não necessariamente é o oposto do machismo, vez que, esse segundo acredita que homens são superiores às mulheres, enquanto o primeiro visa o entendimento da igualdade de oportunidade e ação entre gêneros. Nessa luta incessante pela equidade, liberdade e igualdade deve se entender a existência de movimentos sociais dentro do próprio feminismo com seguimentos teóricos diferentes. Mas a linha mais pertinente sobressai na firmação real de que:

- Mulheres são pessoas. Portanto, merecem direitos iguais;
- Mulheres devem ganhar salários iguais aos dos homens no desempenho da mesma função;
- Mulheres não devem ser discriminadas no mercado de trabalho e suas oportunidades não devem ser limitadas aos papéis de gênero que a sociedade impõe sobre elas;
- Não é obrigação de a mulher cuidar da casa, dos filhos e do marido. Os afazeres domésticos e cuidado com as crianças devem ser de igual responsabilidade para homens e mulheres;
- Nenhuma mulher é uma propriedade. Nenhum homem tem o direito de agredir fisicamente ou verbalmente uma mulher, ou ainda determinar o que ela pode ou não fazer;
- O corpo da mulher é de direito somente da mulher. A ela cabe viver a sua sexualidade como bem entender, decidir como vai dispor de seu corpo e da sua imagem, com quem ou como vai se relacionar;
- Qualquer ato sexual sem consentimento é estupro. Nenhum homem tem o direito de dispor sexualmente de uma mulher contra a vontade dela;
- Nunca é culpa da vítima;
- Assédio de rua é uma violência. A mulher tem o direito ao espaço público (e também ao transporte público) sem ser constrangida, humilhada, ameaçada e intimidada por assediadores;
- A representação da mulher na mídia não pode nos reduzir a estereótipos que nos desumanizam e ajudam a nos oprimir;
- Mulheres não são produtos. Não podem ser tratadas como mercadoria, isca para atrair homens, moeda de troca ou prêmio;
- A representação das mulheres deve contemplar toda a sua diversidade: somos negras, brancas, indígenas, transexuais, magras, gordas, heterossexuais, lésbicas, bi, com ou sem deficiências. Nenhuma de nós deve ser invisível na mídia, nas histórias e na cultura;
- A voz das mulheres precisa ser valorizada. A opinião das mulheres, suas vivências, ideias e histórias não podem ser descartadas ou consideradas menores pelo fato de serem mulheres;
- O espaço político também é um direito da mulher. Devemos ter direito ao voto, a sermos votadas, representadas politicamente e a termos nossas questões contempladas pelas leis e políticas públicas;
- Papéis de gênero são construções sociais e não verdades naturais e universais. Nenhum papel de gênero deve limitar as pessoas, homens ou mulheres, ou ainda permitir que um gênero sofra mais violência, seja mais discriminado, tenha menos direitos e considerado menos gente;
- Mulheres trans são mulheres e, portanto, são pessoas. Todas as pessoas merecem ter sua identidade respeitada;
- Se duas mulheres decidem viver juntas (ou dois homens), isso não é da conta de ninguém e o Estado deveria reconhecer legalmente essas uniões;
- Não existe tal coisa como “mulher de verdade”. Todas as mulheres são bem reais, independente de se encaixar em algum padrão;
- Mulheres não existem em função de embelezar o mundo. Muito menos em função da aprovação masculina;
- Amar o próprio corpo e se sentir bem com a própria aparência não deve depender dos padrões de branquitude e magreza que a sociedade racista e gordofóbica determinou como “beleza”;
- Mulher não “tem que” nada, se não quiser. Isso vale para ser “amável” ou falar palavrão, fazer sexo ou não fazer, se depilar ou não depilar, usar cabelo grande ou curto, "encontrar um homem” ou ficar solteira, sair com vários caras ou preferir mulheres, ter filhos ou não ter, gostar de maquiagem ou não (e por aí vai em todas as regras que cagam ou possam vir a cagar sobre nossas vidas).

Obs: Texto com participação da ativista social Aline Valek, da "Pauta Feminista" anexada em CartaCapital.



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