Quem sou eu

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PRATA, MG, Brazil
Sou uma guerreira que batalha pela realização de um sonho que abrange o coletivo. Sou questionadora pela necessidade de fazer valer os direitos humanos. Sou determinada e insistente na nossa luta porque a exploração ainda é latente. Sou sujeita em movimento, sempre comprometida com o projeto ético politico profissional. Sou dinâmica e decidida, capaz de tornar minha profissão cada vez mais crítica, combativa e reflexiva. Sou trabalhadora e estou inserida na luta de classes: SOU ASSISTENTE SOCIAL.

terça-feira, 26 de julho de 2016



O SEGREDO É SER DISCRETA(O)!

Você pode não ter noção, mas quanto mais discreto for, mas estarás livre de pessoas que tentará te explorar. No mínimo você não será incomodado por elas. Não que todo mundo esteja lá fora para prejudicá-lo, mas muitos te observam aguardando seu primeiro descuido para te “passar a perna” ou podem te utilizar como uma fonte de recurso para eles. Então, evite todas as maneiras possíveis vangloriar ou falar demais sobre si mesmo ou sobre qualquer pessoa conhecida. Aja como uma pessoa comum, preservando suas maneiras e etiqueta sempre ótimas. Nesta conversa nossa de hoje, vamos falar sobre várias influências que a discrição afeta na vida do ser humano. E, de antemão, sabe o que aprendi com muito sacrifício? Que devemos ter um pequeno lugar no coração das pessoas, mas não podemos ganha-las no grito e muito menos banharmos de confetes para aparecer. Assim mesmo vale para todas as demais conquistas de nossas vidas.  Por experiências amargas, te adianto mais uma dica: Não queira ser o tema de discussão de grupos de pessoas. Mesmo que você não revele muito de si mesmo, não há mal nenhum em ser amigável na sociedade. Também não queira estar presente de qualquer modo no pensamento/na mente de todos. Isso sobrecarrega as cobranças a seu respeito sem ao menos você ter noção das dívidas sociais que a ti foram impostas.  Vou te contar uma coisa: Durante muitos anos de minha vida (muito tempo mesmo) me peguei analisando sobre os comportamentos e as pessoas do meio que eu pertencia. Tudo isso em busca de respostas reais, claras e que realmente me convencesse do sucesso de gente tão simples de meu convívio diário. Quanto mais discreta (numa dimensão ampla de cautela e humildade) a pessoa fosse, mas os demais ao seu redor encantavam e os caminhos eram abertos de maneira muito rápida e sólida. Eu, porém, vivia sendo ignorada e minhas relações interpessoais eram cada vez mais complicadas! Mas afinal, o que tinha de errado em eu ser originalmente extravagante, cheia de disposição (demasiada), risos fáceis (gargalhadas na verdade), apertos de mão e abraços fervorosos ( que dependendo da situação ou pessoa, era  mal interpretado)? O que tinha de mais sair pelo caminho da vida falando alto, cheia de autenticidade nas vestimentas e acessórios de moda? (Se bem que, até mesmo dentro de um terninho básico, brinco discreto e sapato Scarpin de salto baixo eu chamava atenção mais do que devia.) O que tinha de errado a pessoa ser “um livro aberto”? Isso não seria uma virtude? O que importava não era o coração permeado de bondade? Na verdade, o que descobri é que: A verdadeira marca de um ser humano marcante, em especial da mulher marcante, está em sua DISCRIÇÃO. Entender isso me custou tempo, molde de vida e abandono do preconceito e do orgulho, além claro, de me custar à abdicação de parte de uma personalidade de construção avançada. Ou eu entendia isso, ou continuava a ser tratada como extraterrestre nos meios que pertencia. As pessoas ao meu redor que eu via sendo requisitadas, amadas e com evidência profissional, eram justamente as colegas que não usavam perfumes perfume fortes ou o batom vermelho. Não utilizavam acessórios extravagantes, não incomodava ninguém sequer para pedir licença ao passar. Na verdade, até estavam bem arrumadas algumas vezes mas, na exuberância do estereótipo trazia um aroma suave de naturalidade imbuído em si. Enquanto escrevo essas palavras, me vêm à mente todos os trejeitos dessas pessoas. E, algo que analisei é que essas quase nunca usavam roupas decotadas. Costumavam guardar os seios bem escondidinhos numa blusinha discreta. Usavam na maioria das vezes, sapatinhos de pouco salto e um jeans clássico.  Eram pessoas  que evitavam a todo custo provocar a inveja alheia e eram indiferentes às pessoas “despeitadas”. De forma natural e sem alarde, sabiam contemplar com tranqüilidade a beleza e sucesso alheio. Não o bastante, elogiava o próximo de maneira desprovida sem se sentirem inferiores por isso. Impressionante como eu reparei durante minha vida essas pessoas! Eu ficava caladinha, observando-as de “rabo de olho” sem saber de onde vinha tanta sensualidade. Sutis, sem falar alto e principalmente, sem enaltecer suas virtudes (e sem omitirem os próprios defeitos) entravam e saiam com humildade e sem humilhar ninguém. Quando abordadas sobre sua(s) vida(s) amorosa(s), descontraiam-se com um leve sorriso. Que coisa! Parecia que não existia crise psicológica de nenhum aspecto na vida dessas pessoas! Por outro lado, lá estava eu, demonstrando em gestos e falas todas as minhas decepções amorosas, “dor de cotovelo”, solicitando palpites e expondo minha vida como se isso fosse solucionar minhas inquietudes. Com isso, eu deixava espaço pra críticas maldosas. Com o passar do tempo, mesmo com a passagem dessas pessoas em minha vida, elas continuaram marcantes (este meu texto é a prova disso). E estou certa de que não foi necessário dizer pra essas elas o quanto são diferentemente positivas. É que a opinião alheia nunca foi um problema para elas, porque, verdadeiramente, elas se bastam. É inspirada em gente assim que tenho procurado me aperfeiçoar, me tornando um ser humano melhor e superando meus próprios limites. Certamente essas pessoas continuam a caminhada nessa vida espalhando suas marcas. Também estou certa de que, muitas pessoas assim como eu em outros tempos, estão no presente a questionar qual é o traço que chama tanta atenção e, estão sem saber identificar a virtude que tornam tão marcantes esses seres humanos. Desconfio que pessoas assim, nascem prontas. Não se tornam. 

* É proibida a publicação ou duplicação desta obra sem autorização expressa da autora supra mencionada.