Quem sou eu

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PRATA, MG, Brazil
Sou uma guerreira que batalha pela realização de um sonho que abrange o coletivo. Sou questionadora pela necessidade de fazer valer os direitos humanos. Sou determinada e insistente na nossa luta porque a exploração ainda é latente. Sou sujeita em movimento, sempre comprometida com o projeto ético politico profissional. Sou dinâmica e decidida, capaz de tornar minha profissão cada vez mais crítica, combativa e reflexiva. Sou trabalhadora e estou inserida na luta de classes: SOU ASSISTENTE SOCIAL.

segunda-feira, 24 de outubro de 2016


Menina-Pássaro

Mesmo ameaçando ir embora, ninguém nunca previu seu abrir de porta devagar e manso. Em todas as vezes que ela partiu, nunca deixou evidencias que assim faria. Ameaçava ir, brigava, chorava, mas, não tinha forças de abrir a porta da libertação. No fundo ela sentia medo de recomeçar. Ela tinha preguiça de arrumar suas particularidades em outro coração. Imagino que se permitia sofrer porque sempre considerou o sofrimento uma lição dada pela vida. Era como se testasse todas as suas limitações para conseguir visualizar o tamanho de sua força, capacidade e paciência. Quem ficou talvez esperasse um bater forte da porta quando essa de costas estivesse. Mas não foi assim que aconteceu. Alias isto nunca aconteceu! Ela saia despercebida, silenciosa e, sem nenhum alarde ia embora. Mas para sempre. Desconfio que  demorasse  tanto pra abrir a porta, justamente porque sabia que não foi programada para retornar.  Em nenhum de seus caminhos percorridos se permitiu voltar. Claro que não! Também pudera, esse mundo é grande demais pra se permitir viver as mesmas experiências! Numa estrada ensolarada e de casas brejeiras construídas com reboque turvo e cinzento, vi algumas tristes e desoladas feições a debruçar na janela. Olhavam pelo caminho com esperança de que ela retornasse. Alguns passaram horas indagando com suas mãos sobre a testa para tapar a luz do sol e poder enxergá-la.  Outros desdenharam qualquer possibilidade de sucesso dela longe dos arredores. Mas o que se pôde observar foi seu caminhar manso sem interesse nenhum de olhar pra trás. Em uma de suas andanças, trajava vestido maltrapilho e rosto manchado pelas lagrimas e poeira. Parou em um riacho, lavou sua face e se redescobriu na beleza do espelho d’água. Já recuperada, sentiu-se leve! E assim como a FÊNIX (pássaro da mitologia grega), esta fez morrer seu passado, entrou em autocombustão e, passado algum tempo, renasceu das próprias cinzas de sua experiência. Seus vôos agora são altos e, ela não se permitirá pousar em qualquer ilha. Cuide-se, oh linda pássaro! Não deixe que nenhum predador quebre suas asas! Vivas agora a liberdade que seus sonhos te permitirem! Que suas penas brilhantes e douradas faça resplandecer luz aos corações amargurados. E em cada renascimento vivas a intensa felicidade do novo! 

* É proibida a publicação ou duplicação desta obra sem autorização expressa da autora supra mencionada.