CASAR PRA QUÊ?
Antes
mesmo de começar a leitura, imagino que você já tenha traçado mil adjetivos em
sua cabeça a meu respeito somente pelo titulo exposto. Um deles é a de que sou apenas uma “mulher mal
amada” e que ainda não encontrou um grande amor e por essa razão, permeada ao
despeito e amarguras escreve coisas desestimulantes aos padrões da família.
Você tem o direito de pensar o que quiser e tirar suas próprias conclusões,
afinal, sou também um objeto de análise
nesse mundo de incertezas! E, confesso: Já ouvi a frase “Eu te amo” um milhão
de vezes, mas Sou mal amada, sim. Mal amada, mal comida e mal compreendida!(risos).
Agora puxe a cadeira e vamos conversar!
Traga-me uma cadeira de descanso, daquelas que costumavam ter somente na casa
de avós ou tias beatas. Cadeiras de madeira ou costuradas em tiras. Isso pra
mim é confortante. Ao contrário de falar sobre casamento. É que o papo costuma
ser cheio de julgamentos distorcidos por parte da grande maioria que lê coisas
desse tipo.
Submissão x Ausência de respeito
Falar
sobre casamento nos últimos tempos me excita bem pouco. Mas acho necessário
sabe? É um tema que, em razão de nossa cultura “machista”, poucas são as
mulheres que se sentem à vontade para falar sobre a realidade de tal. Oh, que
lástima! Daí tem que existir as rebeldes como eu (do tipo que parecem estarem
sempre insatisfeitas )e gritar suas frustrações em nome de um monte de donzelas
(ou não) que se escondem por trás da “burca” do medo e do conservadorismo. Que
exploda as repreensões sociais! Não se pode achar normal levar uma vida
–faz-de-conta. Aliás, gostoso mesmo é fazer jus á vida! E para isso, tem que se
perseguir diariamente os caminhos que apontam para a felicidade e encarar o que
está atrasando o caminhar. Não suporto o tratamento pelo qual as mulheres são
submetidas desde que o mundo é mundo. É que, o mundo machista e peverso têm
aproveitado uma “deixa bíblica” do qual a mulher tem que ser submissa ao marido
e, com isso fez-se questão de esquecer-se da necessidade de se respeitar o
próximo e andar lado a lado das mulheres. É de se enojar tantas imposições,
cobranças e julgamentos ao sexo feminino. Tenho certeza de que as leis que
regem o machismo, não levam em consideração a mulher como ser vivo, humano e
dotado de fragilidades. São crentes de que essa nada mais é que objeto para
satisfazer seus egos, sexos e organizações “per menores” do lar. Com isso,
homens (a grande maioria deles), são criados para terem uma escrava ao invés de
uma companheira de desfrute do amor. E falando em escravidão, a maioria de nós
tornou fêmeas alfas demais para sermos rendidas sequer a submissão na cama! Se
bem que, assisti o filme “cinqüenta tons de cinza” e, a “pegada” do ator Jamie
Dornan vivido pelo personagem Dr. Grey me excitou. Mas esqueçamos os cinqüenta
tons de cinza até pq o personagem demonstrou possuir defeitos insuportáveis e
não demonstrava nenhum interesse ao casamento. Vamos retornar sobre a realidade
do dia-a-dia.
Qual a vantagem?
Sobre a ótica do observado nas relações conjugais, não tenho percebido vantagens nenhuma ou um mínimo estimulador para que uma mulher se case. Afinal, se observarmos bem, quem é mais dependente de uma família e um casamento com sucesso é o homem. Sendo assim, porque na maioria das vezes não se permitem compartilhar do amor familiar ao invés de destruir todos os princípios fundamentais da vida à dois? E porque diabos cobram tanto para que a mulher fique enclausurada em um acordo “de cavalheiros”? Gente, não estou querendo assustar nenhuma mulher que esteja sonhando em casar,não! Não mesmo! Até porque acredito que em toda regra exista exceção e talvez alguma tenha sorte. Mas o que tenho percebido nos relacionamentos a minha volta, em especial na maioria das mulheres casadas, é uma insatisfação muito grande. Diria que essas se permitem estarem casadas, por terem como base o comodismo e medo (em sentidos bem amplos). Quantos casais hoje em dia não vivem/sobrevivem em aparência social? A prova disso é o relacionamento da Fátima Bernades. Ela possuía uma família modelo aos olhos social. Até os filhos foram milimetricamente planejados. Ninguém nunca ouviu falar de qualquer escândalo envolvendo a vida dela com o marido. Mas, não vivíamos no cotidiano deles. Assim como não vivemos no cotidiano de todos os demais. E vou te contar uma coisa: A Fátima nunca me enganou! Não percebia brilho de felicidades em seus olhos desde a copa de 2006. Diante todo o cenário enquadrado nos requisitos de felicidade social, a considerava amarga, seca e com sorrisos limitados. Penso nunca tê-la visto gargalhar. Pois é, o mundo evoluiu e com isso nós mulheres deixamos despertar os nossos desejos e sonhos. Não é qualquer coisa que nos satisfaz. No intimo de cada mulher, ela não foi programada biologicamente para satisfazer somente com sua bela conta bancária, sexo e estrutura física permeados à sua independência como um todo. Somos muito mais que tudo isso! Por mais duras e aparentemente severas que possamos parecer, somos seres frágeis que necessitam serem zeladas com amor, admiração, reconhecimento e ternura. Todas as demais coisas são e terão que ser apenas acréscimo na vida a dois. Então, sendo nós mulheres lindas, desejáveis e donas do próprio nariz, por que nos deixaríamos ser desrespeitadas de formas humilhantes por maridos que muitas vezes nos troca pelos bares, baladas e relacionamentos extraconjugais? A aceitação de uma mulher a situações como essas, não me leva a enxergar isso como um ato sublime de amor e devoção ao esposo. Muito pelo contrário, estou cada dia mais convicta que nossa sociedade está cheia de mulheres doentes. Doentes do coração. Necessitando que se quebrem os cadeados do casamento para que voltem novamente a respirar. Outras vezes, sofridas demais para acreditarem novamente no amor. Tenho reparado nos olhos de algumas e tenho visto a opacidade decorrente de tristeza e insatisfação. Posso citar aqui em nossa conversa (de pouca técnica) muitos casos angustiantes e desestimulantes na vida conjugal e que, a mulher leva desvantagem. Quantos casais você conhece hoje, cujo homem da relação esteja traindo sua esposa com uma mulher bem inferior (em todos os sentidos)? Quantos homens quando casados você imagina que esteja preocupado com orgasmos-multiplos de sua esposa? Quantos homens você já soube/sabe que esteja/estava relacionando com outro homem enquanto a devota esposa se mantinha fiel e acostumada a migalhas em casa? Quantos trocam as famílias por uma mesa de bar ou pela drogadição e retornam quando bem entendem não permitindo a mulher nada questionar? Quantos acostumaram ser sustentados pela esposa, mas não aceitam a idéia de que essa pode escolher os moveis da casa e ter domínio do próprio dinheiro? Quantos por sentimento de inferioridade agridem físicos e psicologicamente suas companheiras? Você já consultou as estatísticas de homicídio? Quem mais morre sendo vitima de abusos na vida conjugal, o Homem ou a Mulher? Desculpe-me se joguei lama em seus contos de fadas, mas quando se vive a observar o mundo à volta com os olhos da razão, dificilmente algo ilusório consegue convencer. Talvez casar seja isso: Fechar os olhos e amar. Amar pelo simples fato de amar. Sem razão, sem garantias, sem porquês... Um dia talvez eu case. Mas penso que fechar os olhos, ignorar as razões e deixar o coração dar as ordens, nunca foi meu forte.
* É proibida a publicação ou duplicação desta obra sem autorização expressa da autora supra mencionada.


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